13 de julho de 2017

Convivendo com o terror em UK

Você está com medo do terrorismo?
Esta é a pergunta que mais escutei nos últimos meses de amigos e familiares no Brasil. Resolvi contar como está nossa rotina depois de tantos ataques nesse ano de 2017.


Recapitulando:

Westminster -  ataque terrorista que ocorreu em 22 de março na ponte de Westminster, no centro de Londres. Um carro atropelou uma multidão de pedestres perto dos portões do Parlamento. O terrorista então saiu do carro e esfaqueou um agente policial. Seis pessoas morreram e 40 ficaram feridas. Este foi o primeiro Atentado Terrorista desde o atentado no London Underground em 2005.  

Manchester Arena - ataque terrorista que ocorreu em 22 de maio. A explosão aconteceu no exterior do auditório, logo após o show da cantora pop americana Ariana Grande, por um homem bomba. Vinte e duas pessoas entre adolescentes e crianças morreram e 60  ficaram feridas.

London Bridge/Borough Market - último ataque terrorista em Londres, ocorreu no dia 3 de junho.  Realizado por pelo menos três homens que atropelaram vários pedestres na London Bridge e depois esfaquearam mais pessoas no famoso mercado Borough Market. Oito pessoas morreram e 48 ficaram feridas.


Quando achávamos que a Inglaterra já estava bastante chocada, judiada e ainda em luto,
dia 14 de junho acontece o incêndio na Grenfell Tower. Um prédio de 24 andares pegou fogo de madrugada, em North Kensington-Londres. A catástrofe matou pelo menos 80 pessoas e ainda procuram por mais vitimas. O terrorismo gera desconfiança e  chegamos a pensar, no primeiro momento, que o incêndio teria sido terrorista. No final, autoridades concluíram que a causa foi um refrigerador com defeito aliado ao produto de revestimento exterior do prédio que fizeram o fogo propagar rapidamente. 
 

Minhas amigas suburbanas inglesas  tem evitado o  centro de Londres - aglomerado de pessoas e turistas. Pedi ao meu marido, que trabalha no centro, não pegar metrô na hora do rush e sim caminhar até a estação de trem - ele atendeu meu pedido. A grande ironia é que o caminho que ele faz é exatamente o mesmo onde as pessoas foram atropeladas no atentado da London Bridge.

Fui a Londres no domingo seguinte ao atentado de Manchester. O Reino Unido estava em alerta crítico - significa que um novo ataque poderia ocorrer a qualquer momento.  Resolvi dar uma volta na Primark da Oxford Street antes de ir pra Igreja. Loja imensa, 4 andares lotados de turistas e londrinos. No meio da compra, aconteceu um blackout na loja inteira. Fiquei estática, meu coração bateu a milhão e quase saiu pela boca. Depois de alguns segundos, quando as luzes se acenderam, a mulher do meu lado disse - "não é o melhor dia pra isso acontecer, não é?!" Resolvi voltar pra casa.

Três semanas atrás,  fazia muito calor, e antes de pegar as crianças na escola, combinamos de tomar um café, eu e mais 3 amigas. Cheguei um pouco atrasada e elas já estavam sentadas. Quando me aproximei da mesa, uma delas gritou: "run!". Escutei um barulho de vidro quebrando e pessoas correndo. Olhei para o lado e vi uma moto caída e um homem com marrete gigante nas mãos saindo da loja de joias, vizinha ao café. Minhas amigas ficaram em choque! Entramos na loja ao lado para nos proteger. Uma saiu correndo e só voltou 15 minutos depois - correu mais rápido que o Usain Bolt. Como ela viu os assaltantes descendo de 3 motos segurando objetos de metal, achou que fossem terroristas. Eram "apenas" ladrões de joalheria e me pareceram bem amadores. Difícil foi acreditar que tinha acontecido em plena luz do dia e no "nosso" pacato vilarejo em Surrey.
 
estávamos sentadas nessa primeira mesa
Claro que a insegurança e o medo do terrorismo existem, estaria mentindo se dissesse que não - penso nisso todas as vezes que entro no metrô. Mas ainda acho que a Inglaterra é uma aula de Yoga comparada ao medo que sinto da violência urbana no Brasil. 
Sempre digo que a vida em São Paulo é "com emoção" - linguagem dos bugueiros no nordeste. Tudo acontece, coisas boas e ruins e rápido, muito rápido - turbilhão de emoções. Em 10 anos morando na Inglaterra não me lembro de um primeiro semestre tão tenso. Não estou feliz com isso, preferia a vida como era antes, "sem emoção".

Beijoooootro.

5 de junho de 2017

Hábitos alimentares em UK - além do fish and chips

Gordon Ramsey, Heston Blumenthal, Jamie Oliver, Nigella Lawson são alguns dos chefs celebridades em UK . Apesar desses grandes nomes, a gastronomia britânica não tem boa fama - alguns mais radicais até questionam se ela pode  ser considerada gastronômica.

mercado aberto em Londres - Borough Market
A adaptação aos alimentos de outro país parece mais fácil do que realmente é. No começo sentimos falta dos sabores e dos produtos que estávamos acostumados, aí vêm a frustração de não encontrar o equivalente à muitos deles.
Quando íamos de férias ao Brasil, nas primeiras vezes, a mala voltava cheia de comida - manteiga aviação, chá mate, café, sonho de valsa, caixa de bis, paçoca e doce de leite. Até que um dia, argumentei com o meu marido: "vivemos na nação  que consome mais de 60 bilhões de xicaras de chá por ano (segundo a Tea and Infusion Organization), manteiga francesa e chocolate suíço são baratos. Por que continuamos trazendo todas essas coisas?"

A culinária britânica é sem graça (boring), mas apesar disso eu adoro por ser prática e descomplicada. Não existe essa história de refogar vegetais - ervilha, milho, brócolis, couve de bruxelas, cenoura são cozidos no vapor e pronto. Aliás, parsnips 
não é mandioquinha, ok?!
Os doces não são tão doces e a comida apimentada é absurdamente apimentada (funciona como descongestionante nasal).
O churrasco é de hambúrguer e sausage. A carne de vaca é caríssima, vendida em bifes.
Abrem os sacos de frutas e nem se incomodam em lavar, especialmente nos picnics.
São fãs de take away de hamburger gourmet, comida indiana, chinesa e pizza.
Para adeptos aos alimentos orgânicos, veganos e glúten free, os preços são bem acessíveis e ocupam uma sessão grande nos supermercados.  




English breakfast
Fish and Chips, Sunday Roast e English Breakfast vocês já conhecem - abaixo alguns dos produtos "esquisitinhos" consumidos no dia a dia:

- Baked beans - feijão no molho de tomate doce. beans on toast - feijão por cima de uma fatia de pão de forma tostado. Também usado como recheio da baked potato.
- Batatinha frita de saquinho sabor sal e vinagre.
- Cocktail sausage - linguiça pequena de quinta categoria e fria. Criançada adora!
- Scone - servido com creme e geléia de morango no chá da tarde - sem recheio e sem um chá pra acompanhar parece uma argamassa na boca.

 - Sausage roll - massa folhada recheada com pasta de linguiça. Comem no café da manhã quando estão na rua.
- Marmite - um dos principais produtos da culinária britânica. Extrato de levedura de cerveja, salgado de cor marrom escura e na consistência de geléia. Se come com pão, crackers ou bagel. Ou você ama ou odeia. 

                                             


No último ano novo, fomos convidados para uma festa das amigas da escola. Fui intimada a levar alguma comida exótica/típica brasileira. Não sei cozinhar e fiquei tensa. Liguei pra minha mãe e uma amiga pedindo sugestões. No final, levei pão de queijo, mousse de limão (era pra ser maracujá) e pate de atum. Sucesso absoluto! Eles amaram e até hoje pedem a receita no pátio da escola - festinhas futuras estão garantidas. 
único maracujá que encontrei no supermercado
Jamie Oliver gostou do nosso açaí e caldo de cana mas detestou nosso brigadeiro e quindim, Nigella Lawson amou a nossa mandioquinha/batata-baroa. Pra ser bem sincera: who cares?! Devemos mesmo é agradecer por termos um prato de comida na mesa, seja ele tipicamente brasileiro ou britânico.

Beijooooootro.

19 de abril de 2017

mãe X trabalho


Não é a primeira vez que faço um desabafo no meu blog, fiz sobre o tempo na Inglaterra e agora esse post será sobre a vida de mãe/ profissional. Setembro esta quase chegando e uma nova fase irá começar. Carolina entra no pré-primário e passa a ser período integral (full time - 8h20 -15h10) e com esse tempo livre, poderei trabalhar.

Quando só tinha um filho e ele ficou full time, resolvi procurar emprego perto de casa. Queria somente algumas horas semanais, pra me distrair, pois estava tentando engravidar novamente.
Achei uma vaga em uma famosa loja de roupas na high street do meu bairro. Preenchi a aplicação e fui chamada para a entrevista. Por telefone, o gerente me disse que a posição disponível era de estoquista. Engoli meu orgulho e fui pra entrevista. Depois do bate papo, ele me colocou em teste na loja para guardar/organizar roupas por uns 15 minutos. Quando terminei, me chamou e disse: "acho que não dará certo, você foi muito lerda" Whaaaaat?! Dou conta de uma casa inteira, filho, marido e o cara me chama de lerda!? Voltei revoltada pra casa...
Tudo bem, não me deixei abater. Então lá fui com minhas idéias "geniais" e arrumei um emprego de barista dentro da TopShop no centro de Londres - Oxford Street. Pensei: uso o mesmo travelcard do meu marido (não gasto com transporte) e trabalho a noite (não altero a rotina do meu filho). Voltava lotada de comida pra casa, eles dividiam o que sobrava nas prateleiras e não poderiam ser vendidas no dia seguinte. Voltava cheia de comida e também cheia de bolhas nas mãos. Depois que a loja fechava, me colocavam pra varrer, passar pano no chão e limpar uns 20 pés de mesa de metal. A " brincadeira" durou menos de 1 semana.

Resolvi então acalmar meu ânimo e esperar pela próxima gravidez em casa, na vida de "madame" - meu marido só dava risada.

Também arrumei um emprego temporário,
 não registrado, de recepcionista num studio de fotografia.
O ano escolar na Inglaterra começa no início de Setembro e vai até meados de Julho do ano seguinte - são três trimestres (termos de outono, primavera e verão) As escolas fecham duas semanas no Natal e na Páscoa, além do mês de Agosto e parte de Setembro que são as férias de verão. Também fecham para treinamento dos professores - Inset day. Mas o que realmente cria um caos na vida de quem trabalha são os half terms - uma semana no final de Outubro, Fevereiro e Maio.

Na realidade, a maioria das mães com filhos menores não trabalham, ou se trabalham, optam por meio período ou term time only (de acordo com o calendário escolar). Quando as crianças entram na escola secundária com 10/11 anos (secondary school), passam a caminhar ou pegar transporte sozinhos e sentem-se seguros em ficar em casa esperando os pais.

Para as mães que trabalham full time as opções são as seguintes:

Child Minders - mulheres que cuidam de crianças em suas próprias casas, registradas e inspecionadas pelo governo e sub-prefeitura. Cada uma tem seu horário, preço e especificações. Quase sempre já não tem mais vagas. Cobram por hora. $
Day nursery - dependendo da nursery a criança poderá ficar o dia inteiro. $$$
Nanny - babá que normalmente cobra por hora trabalhada Não é comum entre as famílias de classe média. $$$
Au pair - jovens estudantes de outros países que em troca de moradia ajudam a cuidar das crianças por em média 30 horas semanais. $
 
Quando as crianças já estão na idade escolar as opções dentro das escolas são: Breakfast Club (antes da aula), After School Clubs (atividades depois da aula) ou contratar uma childminder para pegar seu filho.
O salário mínimo por hora é de £7,50 e a hora da childminder, que seria a opção mais barata, custa em torno de £6 a hora. Faça as contas pra ver se vale a pena?! Desculpa, mas prefiro estar presente no dia a dia dos meus filhos.
Tenho amigas que nas férias de verão chegam a gastar mais do que ganham para colocar os filhos nos clubs. Sorte de quem tem um ótimo salário e pode contar com a família.

                                   

Estou animada e ansiosa, não passei na vaga de estoquista por ser muito lerda alguns anos atrás, imaginem agora?! Bem, uma coisa é fato, aqui na Inglaterra não tem discriminação por cor, idade ou gênero. Meu marido trabalhou com o Roland que recentemente virou Roxane, as recepcionistas dos GPs são a maioria de terceira idade, sem contar os ajudantes nos supermercados que são portadores de alguma deficiência mental ou física.   
Tem emprego meio período, período integral, alguns dias da semana, finais de semana, madrugadas, term time, ... só preciso mesmo achar uma vaga que me encaixe e recomeçar depois de 10 anos.

Beijoooooutro.

23 de fevereiro de 2017

Indústria de unhas em UK

Esta semana resolvi falar sobre minhas unhas. Pensei que fosse um assunto bobo, sem importância, até que me deparei com dados surpreendentes. 
Quando mudei pra Inglaterra perdi o hábito quase "sagrado" das brasileiras de fazer as unhas semanalmente. Achar tempo pra isso era a menor das minhas preocupações, além de muito caro - em torno de £25 só a mão. Quando ia de férias ao Brasil, manicure era visita obrigatória - mais importante que cafezinho com as tias. Coitado do meu marido, muitas vezes deve ter confundido a mão dele com a minha. 
Me dei conta que a coisa estava feia na última Páscoa. Na aula de Yoga, fazendo a "saudação ao sol", olhei minha unha do pé e percebi que o esmalte que passei no ano novo continuava lá, só que quase na metade da unha. Afinal, são poucos dias ao ano que usamos uma sandalinha ou havaianas, não é?! 


Aqui na Inglaterra a vida é simples e prática, a cobrança e pressão é muito menor com relação a vaidade feminina. Ninguém repara se você está com as unhas lindas ou não - celebridades ou mortais. Muito libertador!
Tomem como exemplo as unhas da Kate Middleton no seu noivado. Aqueles singelos dedinhos, com unhas pintadas de esmalte quase incolor, carregavam um anel oval de 12 quilates de safira e 14 diamantes em ouro branco. Em 1981 custou £28.500, mas com o seu legado tornou o valor inestimável. 


       

A indústria de unhas em UK explodiu nos últimos anos - na moda, com serviço rápidos, em praticamente todos os cantos das high streets e com técnicos de unhas móveis atendendo clientes em suas casas. O boom foi impulsionado por salões de unhas vietnamitas, graças a seus preços "baratos" e trabalhadores altamente qualificados.

O lado obscuro dessa indústria é que em dezembro de 2016, 97 prisões foram feitas depois que a polícia invadiu 300 salões de unhas em relação a infracções migratórias. A maioria das detenções feitas foram cidadãos vietnamitas, mas também da Mongólia, Gana, China, Nigéria, Paquistão e Índia. Dezenas desses salões foram advertidos e podem receber multas de até £20,000 por cada imigrante ilegal encontrado. 14 pessoas foram identificadas como potencialmente em risco de escravidão moderna. A atividade fazia parte da "Operação Magnify", uma campanha intergovernamental para reprimir o trabalho ilegal, visando indústrias específicas de "risco". O ministro da Imigração, Robert Goodwill, disse: "Esta operação envia uma mensagem forte aos empregadores que buscam cruelmente explorar as pessoas vulneráveis ​​e deliberadamente abusar de nossas leis de imigração."


      


Fiquei pensando, a vida está ficando muito chata. Até um assunto leve como fazer as unhas hoje em dia carrega um lado sombrio por trás. O que restará? Será que quando for comprar algodão doce pra minha filha vou descobrir que o açúcar veio de exploração infantil e que todos adultos que trabalham com crianças sempre tiveram segundas intenções?! A vida moderna está definitivamente sem graça e nos deixando insana.

Stay safe e bom carnaval! 

21 de janeiro de 2017

Banho - Mito ou verdade?

Este ano iremos comemorar Bodas de Estanho ou Zinco morando na Inglaterra - 10 anos!
O que posso tirar desse "casamento" é que adquiri muitos hábitos ingleses e ao mesmo tempo perdi muitos brasileiros - processo natural na vida de um "gringo". 

Um hábito que adquiri, como já mencionei em outro post é o da faxina - "esqueci" os standards brasileiros de limpeza e inclusive me sinto curada de um antigo TOC (transtorno obsessivo-compulsivo). Passar roupa é outro hábito que desconheço. Lavo a roupa, penduro no varal e espero ela se auto passar enquanto seca. Adotei também o costume de tirar os sapatos antes de entrar em casa e andar de pantufa ou meia. 
Agora, uma coisa que na minha família não se muda é o hábito do banho - pelo menos enquanto meus filhos morarem comigo.
CAROLINA
Depois do futebol, dei carona para um amigo do meu filho. No caminho, falei que assim que chegasse em casa era para ele entrar direto no banho pois estava imundo. O menino comentou que talvez também teria que tomar pois normalmente só lavava o rosto, mãos e pés antes de dormir. Perguntei então quantas vezes por semana ele entrava no chuveiro e ele respondeu: "acho que 3x". Acho?! 
Estava em uma rodinha na escola e comentavam (fofocavam) sobre uma mãe sul-africana. Eu só escutava, até  que veio a pergunta de uma delas: "Renata, você não acha que os filhos dela vivem imundos?" Respirei fundo e respondi : "olha, eu acho sim, mas não julgo porque viemos de países, culturas e hábitos diferentes. No Brasil, por exemplo, tomamos banho todos os dias, as vezes 2x, pela manhã e a noite, portanto, sou suspeita pra falar - um silêncio constrangedor tomou conta da roda...
Isso na verdade não era novidade, já rolaram várias conversas ou comentários que indicavam esse hábito de higiene dos ingleses. Durante o inverno, não suamos e saímos com tantas camadas de blusa que parecemos um boneco Michelin.
Vou confessar que um dia a noite, comecei a assistir uma série, me empolguei e só parei as 1h30am. Ainda não tinha tomado banho. Olhei para o meu marido dormindo, dia útil, madrugada e pensei: ele não vai nem saber ou reparar se tomei banho ou não - beleza!!!Não aguentei, entrei no chuveiro.
Em 2015, a linha de cosméticos Flint+Flint revelou uma pesquisa feita com mulheres britânicas, idades entre 18 e 50 anos, sobre higiene pessoal.
- 4 em cada 5 mulheres admitiram não tomar banho todos os dias.
- 57% optam por uma rápida higiene com lenços  umedecidos antes de dormir.
- 63% não se incomodam em remover a maquiagem antes de ir para a cama.
- 1 em cada 8 nem escovam os dentes antes de dormir.
A pesquisa diz que, o mais chocante é que 1 a cada 3 mulheres em UK já passou até três dias sem lavar o corpo nem o rosto. Fico imaginando qual seria o resultado se ela tivesse sido feita entre homens.

Interessante e curiosa as diferenças culturais. Não usam sapato dentro de casa mas podem ficar até 3 dias sem banho?! 
Na verdade não me interessa e não é meu problema se o vizinho e os filhos do vizinho tomam banho ou não, A única hora que isso pode me afetar é quando entro no elevador e sinto um mix de curry e "fish and chips" nada agradável no ar. Já li discussões acaloradas no Facebook  sobre esse assunto e entre brasileiros. Adquire o hábito quem quer!
Aprendi uma coisa valiosíssimas nesses 10 anos, não com os Ingleses, muito menos com brasileiros, foi depois de velha mesmo. Aprendi a pensar mais e verbalizar menos - comprei minha paz.
Futuramente acontecerá um divórcio, não sei se por traição ou incompatibilidade de gênios, mas até lá vamos completando e "comemorando" bodas. Feliz 2017!

Beijoooooutro
 

8 de novembro de 2016

A cultura britânica do "beber até cair"


As festas de final de ano estão chegando e nada mais oportuno que falar dos excessos. Esse assunto me trouxe muita inspiração, embaraço e mini "flash backs" da minha adolescência no interior de São Paulo.
Campanha contra o álcool do NHS
BRITAINS BINGE DRINKING CULTURE - Fui procurar estatísticas e são tantas informações que resolvi passar o que vemos nas ruas e tentar explicar a fama nacional e internacional dos Britânicos pinguços.  Chega a ser divertido participar de um planejamento de balada ou "school ball". O assunto principal é quem está decidido a "enfiar o pé na jaca" e depois vem a logística da locomoção. É feito um roteiro de quem vai com quem para assim organizar os taxis/caronas e dividir os custos.

De acordo com a lei de trânsito na Inglaterra, A tolerância para os níveis de álcool no sangue é de até 80 miligramas de álcool para cem mililitros de sangue. A penalidade mínima, se for pego dirigindo acima do limite permitido, é severa - para uma primeira ofensa é a desqualificação de 12 meses e multa. No entanto, em casos mais graves, o Tribunal considerará períodos mais longos de desqualificação, ordens comunitárias e mesmo penas de prisão. Se resolver beber e dirigir vai ser na raça e na sorte!

Também é proibido consumir álcool nos metrôs e ônibus públicos, vender ou fornecer bebidas para menores de 18 anos.

Vi uma foto no jornal um tempo atrás e que não saiu da minha memória. Uma executiva de alto nível de uma empresa de Marketing, caída na sarjeta no centro de Londres e sendo socorrida por enfermeiros.

Agora imaginem: você voltando pra casa depois de um dia exaustivo de trabalho e encontra a sua chefe, (a fodona, a mulher que têm o poder de te dar aumento de salário, te promover, demitir, ou acabar com a sua carreira) naquela cena?! Como encará-la no dia seguinte? Como não oferecer um chá de boldo, Epocler ou redbull no "morning meeting"? O que fazer com a vontade de perguntar se ela dormiu abraçada com a privada chamando o Hugo? Exercício poderoso de auto-controle.
Pois é, mas isso é muito comum em todo Reino Unido - encare com "normalidade" a situação
.

"Black eye Friday" ou "Mad Friday" é o apelido dado no Reino Unido para a última sexta-feira antes do Natal. É quando acontecem as festas dos escritórios (firma), consequentemente, faz com que seja uma das noites mais movimentados do ano para as ambulâncias e polícia - as vendas de álcool nesse dia disparam em mais de 100%! Os departamentos de A&E (pronto-socorro) são inundados de britânicos bêbados. A Policia e serviços de emergência começam seus preparativos no início de dezembro. As prefeituras colocam nas ruas os "booze buses" - Veículos especialmente adaptados que tratam pacientes com doenças e lesões relacionadas ao álcool. Um ônibus "booze" pode transportar mais pacientes e isso ajuda a liberar ambulâncias de primeira linha para casos de real ameaça a saúde.


Mad Friday
 O consumo excessivo de álcool está custando à Grã-Bretanha £4,9 bilhões a cada ano em termos de admissões A&E, acidentes rodoviários, tempo da polícia e casos judiciais - de acordo com um relatório feito pela University of Bath e University of Essex em março de 2015.

Seria tão feliz na Inglaterra voltando na minha adolescência!!! A vida muda muito com os anos, nós amadurecemos, temos filhos, ficamos caretas e passamos a ter vergonha na cara. Se hoje, eu bebesse a ponto de vomitar e cair na sarjeta na frente de amigos/chefe, provavelmente pediria demissão, mudaria de bairro, de identidade ou usaria burka por alguns meses.
 
MINHA AMIGAS E EU SUPER COMPORTADAS
Agora, só tem um probleminha: meu filho está crescendo aqui na Inglaterra. E em se tratando de bebedeira e mal comportamento a "adolescência" no Reino Unido não tem idade pra acabar. 



 Beijooootro.

21 de setembro de 2016

CCTV - Tô de olho em você!

Estamos na era dos realities shows,  do espetáculo do cotidiano, onde celebridades, aspirantes  a celebridade e pessoas comuns  expõem sua vida pessoal sem qualquer pudor ou constrangimento. É a geração Big Brother, Kardashians, Jersey Shore, Real Housewives,  A Fazenda, Top Model e tantas outras pelo mundo. Tem pra todos os gostos e idades- "you name it, we've got it".


Pra nós que vivemos no Reino Unido é como se fossemos participantes desses shows, nossos passos são quase todos monitorados por câmeras - as famosas CCTVs (closed circuit television). É só olhar pra cima ou para os lados que se vê uma, seja ela pública ou privada.
O Reino Unido tem uma das maiores redes de câmeras CCTV no ​​mundo. A Associação da Indústria de Segurança Britânica (BSIA) estima que existam entre 4-5.9 milhões, tornando UK um dos lugares mais monitorados no mundo. Muito se debate sobre esse sistema.

O Assistente  Chefe Constable Mark Bates, da Metropolitan Police Service - CCTV, declarou em uma entrevista para a BBC  que:
"Não tenho nenhum desejo de nos levar em direção a uma sociedade de vigilância - o que não é do interesse de ninguém . Mas o uso eficiente da CCTV, no interesse público , é uma arma fundamental no nosso arsenal de provas que podem nos ajudar a apreender os infratores, reduzir a criminalidade, proteger o público e obter justiça para as vítimas"

Mas os ativistas contra as CCTVs  acreditam que elas violam a privacidade e questionam a sua eficácia. Emma Carr, diretora do Big Brother Watch (Grupo Britânico que defende a liberdade civil) diz: "A taxa de criminalidade da Grã-Bretanha não é significativamente menor do que os países comparáveis ​​que não têm tão vasta vigilância".

O recente assassinato da businesswoman Sadie Hartley, esfaqueada 40 vezes na porta de casa pela rival e ex-namorada do então parceiro, foi desvendado quando vídeos das câmeras de CCTV de vários estabelecimentos foram confrontados com os testemunhos. 
 

O uso privado de câmeras não teve um final feliz para o voyeur, Dr. Yeoh. Ele foi preso por usar 23 câmeras secretas para filmar suas vítimas. Criou um "pequeno" sistema de CCTV pessoal. Ele fixava minúsculas câmeras nos sanitários, lixeiras, pias e filmava até convidados em sua casa. Ao longo de mais de três anos, o renomado especialista em audição, acumulou milhares de horas de filmagens de homens, mulheres e crianças. A descoberta/queda veio depois que ele, inadvertidamente, filmou a si mesmo colocando uma câmera num banheiro comum do Hospital particular St Anthony's. A filmagem incriminadora foi encontrada quando o dispositivo fixado por ele caiu e foi encontrado por uma colega de trabalho.
Quem frequentava esse hospital e provavelmente aparece nos tapes, sentada no trono (país da Realeza) como veio ao mundo, sou EU!

E o uso  de CCTV no trânsito? Parei o carro no supermercado local (Village do subúrbio), por cinco minutos, num espaço que era muito mal sinalizado e proibido,  para comprar papinha de neném. Dois dias depois, recebi um presentinho de grego, uma multa de £60 com a foto do meu carro, digna de Instagram - nem a princesa Charlotte come uma papinha tão cara!
 

essa camera que me pegou!

Aí vem as questões da vida moderna. A CCTV que previne, soluciona crimes e delitos é a mesma que invade a privacidade do cidadão comum e do bem.  É a CCTV do bem contra a CCTV do mal. O mais maluco dessa história toda é que em troca de segurança, a sociedade abriu mão dessa liberdade sem protestar.
E convenhamos, com a febre dos Vlogs no YouTube e Snapchat seria uma ironia reclamar de invasão de privacidade, não é?!
A tal e complicada vida moderna...

Beijoooooutro.