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21 de setembro de 2016

CCTV - Tô de olho em você!

Estamos na era dos realities shows,  do espetáculo do cotidiano, onde celebridades, aspirantes  a celebridade e pessoas comuns  expõem sua vida pessoal sem qualquer pudor ou constrangimento. É a geração Big Brother, Kardashians, Jersey Shore, Real Housewives,  A Fazenda, Top Model e tantas outras pelo mundo. Tem pra todos os gostos e idades- "you name it, we've got it".


Pra nós que vivemos no Reino Unido é como se fossemos participantes desses shows, nossos passos são quase todos monitorados por câmeras - as famosas CCTVs (closed circuit television). É só olhar pra cima ou para os lados que se vê uma, seja ela pública ou privada.
O Reino Unido tem uma das maiores redes de câmeras CCTV no ​​mundo. A Associação da Indústria de Segurança Britânica (BSIA) estima que existam entre 4-5.9 milhões, tornando UK um dos lugares mais monitorados no mundo. Muito se debate sobre esse sistema.

O Assistente  Chefe Constable Mark Bates, da Metropolitan Police Service - CCTV, declarou em uma entrevista para a BBC  que:
"Não tenho nenhum desejo de nos levar em direção a uma sociedade de vigilância - o que não é do interesse de ninguém . Mas o uso eficiente da CCTV, no interesse público , é uma arma fundamental no nosso arsenal de provas que podem nos ajudar a apreender os infratores, reduzir a criminalidade, proteger o público e obter justiça para as vítimas"

Mas os ativistas contra as CCTVs  acreditam que elas violam a privacidade e questionam a sua eficácia. Emma Carr, diretora do Big Brother Watch (Grupo Britânico que defende a liberdade civil) diz: "A taxa de criminalidade da Grã-Bretanha não é significativamente menor do que os países comparáveis ​​que não têm tão vasta vigilância".

O recente assassinato da businesswoman Sadie Hartley, esfaqueada 40 vezes na porta de casa pela rival e ex-namorada do então parceiro, foi desvendado quando vídeos das câmeras de CCTV de vários estabelecimentos foram confrontados com os testemunhos. 
 

O uso privado de câmeras não teve um final feliz para o voyeur, Dr. Yeoh. Ele foi preso por usar 23 câmeras secretas para filmar suas vítimas. Criou um "pequeno" sistema de CCTV pessoal. Ele fixava minúsculas câmeras nos sanitários, lixeiras, pias e filmava até convidados em sua casa. Ao longo de mais de três anos, o renomado especialista em audição, acumulou milhares de horas de filmagens de homens, mulheres e crianças. A descoberta/queda veio depois que ele, inadvertidamente, filmou a si mesmo colocando uma câmera num banheiro comum do Hospital particular St Anthony's. A filmagem incriminadora foi encontrada quando o dispositivo fixado por ele caiu e foi encontrado por uma colega de trabalho.
Quem frequentava esse hospital e provavelmente aparece nos tapes, sentada no trono (país da Realeza) como veio ao mundo, sou EU!

E o uso  de CCTV no trânsito? Parei o carro no supermercado local (Village do subúrbio), por cinco minutos, num espaço que era muito mal sinalizado e proibido,  para comprar papinha de neném. Dois dias depois, recebi um presentinho de grego, uma multa de £60 com a foto do meu carro, digna de Instagram - nem a princesa Charlotte come uma papinha tão cara!
 

essa camera que me pegou!

Aí vem as questões da vida moderna. A CCTV que previne, soluciona crimes e delitos é a mesma que invade a privacidade do cidadão comum e do bem.  É a CCTV do bem contra a CCTV do mal. O mais maluco dessa história toda é que em troca de segurança, a sociedade abriu mão dessa liberdade sem protestar.
E convenhamos, com a febre dos Vlogs no YouTube e Snapchat seria uma ironia reclamar de invasão de privacidade, não é?!
A tal e complicada vida moderna...

Beijoooooutro.

8 de março de 2016

A Inglaterra é um país seguro?

Adoro voltar pra casa quando vamos de férias ao Brasil. Volto cheia de idéias e novas resoluções. Brasil significa recarregar as energias, ver família, amigos, deixar um pouco os filhos com os avós, tomar cerveja gelada, comer pão fresquinho na padaria, ir ao vegetariano, japonês, pizzaria, sentir um pouco de calor e calor humano.
Sempre levamos um choque com as novidades. Embora tenha morado a maior parte da vida em solo brasileiro, desaprendi a achar "normal" o anormal. Estou falando da violência, da insegurança, das histórias horrorosas e amedrontadoras que escutamos muitas vezes em tom de piada.
A melhor história das férias aconteceu com a sogra do meu irmão, Dona Cidinha. Ela recebeu um trote a cobrar as 2 horas da manhã, dizendo que tinham sequestrado minha cunhada e que ela precisaria depositar um dinheiro na conta dos bandidos. Até aí parece uma história comum, não é?! Mas, olhem que desfecho inusitado: Quando os bandidos perceberam seu desespero, resolveram dizer que estava tudo bem, que era para ela desligar o telefone e ligar para a filha e checar que nada tinha acontecido. Antes, Dona Cidinha disse: "Fica com Deus meu filho, pode deixar que vou te benzer! - Ela ainda precisará pagar a conta da ligação que provavelmente veio de algum presídio no nordeste.

Uma das principais razões que nos levaram a morar fora foi a violência urbana. Infelizmente, as coisas só pioraram nesses 8 anos.
 
MET - muito respeitada pela população
 A Polícia Metropolitana de Londres (Metropolitan Police Service, MPS), também conhecida como "Met"  é a força responsável pelo policiamento de toda a Grande Londres. A sede da Met fica no prédio da New Scotland Yard na região administrativa de Westminster. Não andar armada é a principal característica da Met. No dia a dia, o policiais usam armas de menor potencial ofensivo, como "taser" (choque elétrico), cassetete e spray de pimenta. Apenas oficiais com treinamento específico passaram a usar armas de fogo - hoje, cerca de 5% do contingente. Toda força policial britânica tem uma unidade armada, mas este é o último recurso que costuma ser utilizado. Vale ressaltar que a Grã-Bretanha tem uma das legislações mais restritivas em relação a posse de armas no mundo. A baixa letalidade da polícia britânica, segundo especialistas, tem 3 fatores: os policiais praticamente não usam armas; os criminosos também raramente têm armas; há menos pobreza e desigualdade social do que no Brasil.
 
Aqui na Inglaterra a rotina de um cidadão é feita livremente e sem medo. Sair de carro a qualquer hora do dia, cortar caminho por uma rua escura, entrar e sair de casa, sacar dinheiro no caixa eletrônico, entrar num Banco - as portas ficam abertas, sem detectores de metais e seguranças armados. Permitem que os filhos, em torno dos 10 anos, caminhem ou peguem condução sozinhos para a escola.  

A vida como deve ser... 
 


Banco na high street - mulher sacando dinheiro tranquilamente e a porta só está
fechada porque é inverno.
O setor de achados e perdidos funciona. Quando encontram objetos perdidos na rua ou algum lugar público, ou penduram numa grade/muro para ficar a mostra para a pessoa que perdeu ou retornam ao atendimento do local. Já cansei de perder gorro, lenço, capa de chuva do carrinho de neném, carteira com cartões e dinheiro e sempre os recuperei.
Para os ingleses a frase "achado não é roubado" não existe. Não tenho direito de me apropriar do que não me pertence. Aqui você é honesto desde que prove o contrário. Não estou falando de fatos históricos e sim da mentalidade de um povo.

              

Claro que roubos e violência acontecem e tem aumentado muito nos últimos anos. São gangues de rua que vem de bairros vizinhos para cometer delitos.  Roubam carros esquecidos destrancados, residências vazias, celulares e bolsas dos desatentos, bicicletas, motos e ainda esfaqueiam pessoas de gangues rivais. Sim, o negócio aqui e na peixeira! E vira e mexe tem post compartilhado no Facebook sobre "sequestradores" rondando as escolas na hora da saída - pra mim, ainda uma lenda urbana.
Quando conto um pouco da violência que enfrentamos no Brasil para minhas amigas inglesas, quase preciso desenhar, elas não entendem! Pra ser bem sincera, prefiro que fique assim...

Minha inspiração para 2016 será a história da Dona Cidinha. Talvez o Brasil precise de mais pessoas como ela, do bem e com uma ingenuidade doce. Vou mais além, bom seria se o Brasil tivesse mais bandidos como esse, com um pouco de compaixão e amor no coração.

Beijooooooutro.